Carta de Gratidão – 23/01/2026

Data: 23/01/2026

Hora: 17:00

Tópicos do que sou grato hoje:

  • Acordar

  • Ter coragem de sair da cama

  • Cair na rua e ainda assim seguir

  • Ter comida na mesa

  • Não ter limite no cartão para pagar tratamento dentário

  • Reconhecer que minha cabeça tenta me sabotar

  • Levantar mesmo quando meu corpo pede pausa

  • Enfrentar a rua mesmo com medo de andar sem a bota ortopédica



Carta de Gratidão – Registro do Dia

Hoje eu escrevo não como quem comemora vitórias grandiosas, mas como quem honra o simples fato de existir apesar de tudo. Acordar foi um ato de resistência. Abrir os olhos exigiu mais força do que muitos imaginam, porque quando o corpo carrega limitações e a mente insiste em criar armadilhas, levantar da cama não é automático — é uma escolha consciente. E hoje eu escolhi.

Sou grato por ter tido coragem de sair da cama mesmo sem garantia de que o dia seria gentil comigo. Sou grato por cada passo dado com insegurança, por cada tremor interno, por cada pensamento que tentou me convencer de que eu não daria conta. Minha cabeça tenta me sabotar, tenta plantar medo onde deveria haver confiança, tenta me fazer acreditar que eu sou menos capaz do que realmente sou. Reconhecer isso dói, mas também liberta. Porque quando eu identifico o inimigo interno, eu começo a recuperar o controle.

Cair na rua foi um choque. Não apenas no corpo, mas no orgulho, na autoestima, na sensação de autonomia. Cair expõe fragilidades em público, escancara limites que a gente preferia esconder. Ainda assim, eu sou grato até pela queda. Ela não me definiu. Ela não foi o fim. Foi apenas um capítulo duro de uma história que continua sendo escrita com coragem. Cair não me fez fraco — me fez humano.

Sou grato por ter comida na mesa. Em um mundo onde tantos lutam para sobreviver, poder me alimentar é um privilégio que não pode ser tratado como banal. Cada refeição é cuidado, é sustento, é uma forma silenciosa de dizer que, apesar das batalhas, eu continuo aqui. Sou grato também por não ter limite no cartão para pagar meu tratamento dentário. Isso não é luxo, é dignidade. É poder cuidar da saúde sem a humilhação do impedimento financeiro imediato. É respirar um pouco mais aliviado em meio a tantas pressões.

Minha dificuldade de andar sozinho na rua sem a bota ortopédica é mais do que física. Ela toca fundo na minha autonomia, na minha liberdade, no meu direito de ir e vir sem medo. Mas hoje eu escolho ser grato até por essa limitação, porque ela me ensina paciência, humildade e respeito pelo meu próprio tempo. Nem todo avanço é rápido. Alguns são silenciosos, quase invisíveis, mas profundamente transformadores.

Sou grato por não ter desistido de mim hoje. Por ter enfrentado o desconforto, o olhar alheio, o cansaço emocional. Sou grato por continuar acreditando que minha existência tem valor, mesmo nos dias em que tudo parece pesado demais. Gratidão, hoje, não é euforia. É sobrevivência consciente. É olhar para o caos e ainda assim dizer: eu fico. Eu sigo. Eu tento de novo amanhã.

Este registro não é apenas um desabafo. É um compromisso comigo mesmo. Um lembrete de que cada dia vencido, mesmo aos tropeços, já é uma vitória que merece ser escrita, sentida e honrada.

BRUNO FIGUEIREDO MARTINS
ESCRITOR & PALESTRANTE

Uma história real.
Uma voz que provoca reflexão.
Uma presença que transforma.

Meu nome é Bruno Figueiredo Martins.
E antes de qualquer título, diagnóstico ou rótulo, eu sou alguém que aprendeu cedo demais que a vida não pede permissão para ser difícil.

Nasci com uma síndrome raríssima chamada Acidúria Glutárica Tipo 1 — uma condição que compromete a coordenação motora e altera a fala. Ainda recém-nascido, precisei passar por uma cirurgia delicada para a implantação de uma válvula no cérebro, consequência de uma hidrocefalia. Enquanto muitos davam os primeiros passos, eu já travava minha primeira grande batalha pela vida.

Aos 23 anos, em 2010, tomei uma decisão que poucos teriam coragem de tomar: abrir o cérebro novamente para participar de um tratamento experimental no Hospital das Clínicas, com a implantação do DBS (Deep Brain Stimulation). Não foi impulso. Foi escolha. Foi fé no futuro. Foi acreditar que, mesmo com medo, vale a pena tentar avançar.

Sim, eu sou intenso.

Planejo o amanhã, mas vivo o agora com tudo o que tenho.

Concluí o ensino fundamental e médio, fui aprendiz por um ano sem nenhuma falta, trabalhei seis anos em regime CLT, já morei sozinho em outra cidade, já atravessei estados — saindo de São Paulo para o Rio de Janeiro — e cheguei a dormir na calçada apenas para viver um momento histórico: ver o Papa passar.

Não era fanatismo. Era sede de experiência. Era provar, para mim mesmo, que o mundo não me seria negado.

Cada conquista veio com suor.
Cada passo exigiu luta.
Cada vitória foi construída apesar de tudo — e não porque tudo estava a favor.

Escritor

Hoje, transformo essa trajetória em propósito. Sou escritor, autor de dois livros:

Palestrante

E sou palestrante porque entendi algo fundamental:
👉 histórias reais transformam pessoas reais.

Quando subo ao palco, não levo frases prontas. Levo vivência. Levo cicatrizes. Levo verdade. Falo sobre superação sem romantizar a dor, sobre resiliência sem negar o cansaço, sobre futuro mesmo quando o presente é duro.

Minha missão é clara:
provocar reflexão, despertar coragem e mostrar que ninguém é definido pela limitação que carrega, mas pelas escolhas que faz todos os dias.

Se minha história toca, inspira ou movimenta alguém, então ela já cumpriu seu papel.

É exatamente isso que eu entrego em cada palestra:
humanidade, impacto e transformação real.

MARQUE UMA RODA DE CONVERSA OU CONTRATE UMA PALESTRA CLICANDO AQUI