Carta de Gratidão – 26/01/2026

Data: 24/01/2026

Hora: 15:10

Tópicos do que sou grato hoje:

  • Decidir sair da cama

  • Ter comida na mesa

  • Conseguir visualizar um orçamento para o ano inteiro

  • Ver trabalho aparecer na plataforma 99Freelas




Carta de Gratidão – Registro do Dia

Hoje a gratidão começa antes mesmo do movimento do corpo. Ela nasce na decisão. Decidir sair da cama foi, mais uma vez, um ato de enfrentamento. Não houve empolgação, não houve facilidade. Houve escolha. Houve consciência de que permanecer deitado seria ceder à parte da mente que tenta me convencer de que não vale a pena tentar. Levantar foi dizer, em silêncio: eu continuo.

Sou grato por ter comida na mesa. Esse fato simples carrega uma segurança profunda. Saber que há sustento me permite respirar um pouco melhor, mesmo em meio às incertezas. Comer não é apenas nutrir o corpo — é reafirmar que ainda existe cuidado, ainda existe chão, ainda existe um mínimo de estabilidade em um mundo que insiste em oscilar.

Hoje também sou grato por conseguir enxergar um orçamento para o ano inteiro. Isso vai além de números. É visão. É organização mental. É sair do modo sobrevivência imediata e tocar, ainda que com cuidado, a ideia de futuro. Planejar é um gesto de esperança prática. Não é sonhar sem base, é estruturar caminhos possíveis. Ter clareza financeira não elimina os medos, mas diminui o barulho deles.

Ver trabalho aparecer na plataforma 99Freelas foi um sinal importante. Não apenas pela possibilidade de renda, mas pelo reconhecimento implícito de que minhas habilidades têm valor. Cada oportunidade que surge quebra um pouco da narrativa interna de inutilidade que, por vezes, tenta se instalar. Trabalho aparecendo é o mundo dizendo: ainda há espaço para você.

Hoje não foi um dia grandioso aos olhos de fora. Não houve aplausos, conquistas públicas ou celebrações visíveis. Mas internamente, foi um dia de sustentação. Eu me mantive de pé emocionalmente. Eu cuidei do que estava ao meu alcance. Eu não fugi de mim.

Sou grato por entender que estabilidade não nasce pronta — ela é construída em decisões pequenas e repetidas. Sair da cama. Comer. Planejar. Trabalhar. Esses verbos simples, quando reunidos, formam algo poderoso: continuidade.

Minha mente ainda tenta sabotar. Ainda cria cenários de fracasso, ainda questiona minha capacidade, ainda aponta limitações. Mas hoje eu não discuti com ela. Eu agi apesar dela. E isso, por si só, já é uma vitória silenciosa.

Este registro fica como prova de que o futuro não precisa estar resolvido para que eu siga em frente. Basta que ele seja possível. E hoje, ele foi.

BRUNO FIGUEIREDO MARTINS
ESCRITOR & PALESTRANTE

Uma história real.
Uma voz que provoca reflexão.
Uma presença que transforma.

Meu nome é Bruno Figueiredo Martins.
E antes de qualquer título, diagnóstico ou rótulo, eu sou alguém que aprendeu cedo demais que a vida não pede permissão para ser difícil.

Nasci com uma síndrome raríssima chamada Acidúria Glutárica Tipo 1 — uma condição que compromete a coordenação motora e altera a fala. Ainda recém-nascido, precisei passar por uma cirurgia delicada para a implantação de uma válvula no cérebro, consequência de uma hidrocefalia. Enquanto muitos davam os primeiros passos, eu já travava minha primeira grande batalha pela vida.

Aos 23 anos, em 2010, tomei uma decisão que poucos teriam coragem de tomar: abrir o cérebro novamente para participar de um tratamento experimental no Hospital das Clínicas, com a implantação do DBS (Deep Brain Stimulation). Não foi impulso. Foi escolha. Foi fé no futuro. Foi acreditar que, mesmo com medo, vale a pena tentar avançar.

Sim, eu sou intenso.

Planejo o amanhã, mas vivo o agora com tudo o que tenho.

Concluí o ensino fundamental e médio, fui aprendiz por um ano sem nenhuma falta, trabalhei seis anos em regime CLT, já morei sozinho em outra cidade, já atravessei estados — saindo de São Paulo para o Rio de Janeiro — e cheguei a dormir na calçada apenas para viver um momento histórico: ver o Papa passar.

Não era fanatismo. Era sede de experiência. Era provar, para mim mesmo, que o mundo não me seria negado.

Cada conquista veio com suor.
Cada passo exigiu luta.
Cada vitória foi construída apesar de tudo — e não porque tudo estava a favor.

Escritor

Hoje, transformo essa trajetória em propósito. Sou escritor, autor de dois livros:

Palestrante

E sou palestrante porque entendi algo fundamental:
👉 histórias reais transformam pessoas reais.

Quando subo ao palco, não levo frases prontas. Levo vivência. Levo cicatrizes. Levo verdade. Falo sobre superação sem romantizar a dor, sobre resiliência sem negar o cansaço, sobre futuro mesmo quando o presente é duro.

Minha missão é clara:
provocar reflexão, despertar coragem e mostrar que ninguém é definido pela limitação que carrega, mas pelas escolhas que faz todos os dias.

Se minha história toca, inspira ou movimenta alguém, então ela já cumpriu seu papel.

É exatamente isso que eu entrego em cada palestra:
humanidade, impacto e transformação real.

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