Carta de Gratidão – 27/01/2026
Data: 25/01/2026
Hora: 21:05
Tópicos do que sou grato hoje:
Decidir sair da cama
Ter comida na mesa
Fechar uma parceria como freelancer
Não desistir de lutar
Carta de Gratidão – Registro do Dia
Hoje a gratidão nasce de algo que não aparece em fotos, nem vira manchete, mas sustenta tudo: a decisão de continuar. Decidir sair da cama foi, novamente, o primeiro enfrentamento do dia. Não porque o corpo estivesse leve ou a mente colaborativa, mas justamente pelo contrário. Havia peso. Havia dúvidas. Havia aquela voz interna insistente dizendo que seria mais fácil não tentar. Ainda assim, eu levantei. E levantar, para mim, é um ato político contra a desistência.
Sou grato por ter comida na mesa. Essa gratidão não vem de um lugar automático, vem da consciência. Comer hoje significou permanência, significou cuidado, significou que, apesar das incertezas, existe um mínimo de estrutura me sustentando. A comida não alimenta só o corpo — ela silencia um pouco o medo do amanhã e devolve dignidade ao presente.
Fechar uma parceria como freelancer foi mais do que um avanço profissional. Foi uma validação silenciosa de tudo o que venho construindo mesmo quando ninguém estava olhando. Foi o reconhecimento de que minha voz, minha escrita, minha experiência e minha persistência têm valor. Cada parceria fechada é uma rachadura no muro da insegurança que a vida tentou levantar ao meu redor. Não é sobre status. É sobre pertencimento. É sobre saber que ainda há espaço para mim no mundo produtivo, mesmo com minhas limitações, mesmo com minhas cicatrizes.
Hoje, acima de tudo, sou grato por não desistir de lutar. Lutar, para mim, não é bravata. Não é pose. É acordar cansado e ainda assim seguir. É cair e levantar sem plateia. É enfrentar uma mente que tenta sabotar cada passo com medo, comparação e autocrítica excessiva. Não desistir de lutar é continuar mesmo quando a esperança não grita — ela apenas sussurra.
Há dias em que a luta é externa: financeira, profissional, social. Hoje, a maior batalha foi interna. Permanecer em movimento emocional exige mais energia do que qualquer esforço físico. E eu permaneci. Não com perfeição, não com heroísmo, mas com honestidade. Aceitando que o medo existe, mas escolhendo não obedecê-lo.
Sou grato por entender que a constância vale mais do que picos de motivação. Que a vida não se reconstrói em saltos grandiosos, mas em decisões repetidas: levantar, comer, trabalhar, tentar de novo. Cada uma dessas ações, isoladamente simples, juntas formam resistência.
Este registro é uma prova escrita de que eu não me abandonei hoje. De que, mesmo cansado, eu continuei me escolhendo. A parceria fechada pode até terminar um dia. O dinheiro pode oscilar. As dificuldades podem voltar a apertar. Mas a decisão de não desistir — essa fica.
Que este texto me lembre, nos dias mais escuros, que eu já sobrevivi a mim mesmo muitas vezes. E sobreviver, todos os dias, já é uma forma legítima de vitória.
